sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Da vaga lembrança

E já dizia Mário Quintana: "Se me esqueceres, só uma coisa, esquece bem devagarinho".
É mais o mundo não pede para que esqueçamos, os grandes fatos e feitos históricos... ou as centenas de mortos em Gaza, Afeganistão, Colômbia... mas nos esquecemos. Lentamente estamos perdendo nossa memória histórica.

"Vivemos dentro de uma grande máquina de esquecimento. Nela, o hábito é produzir enlouquecida e velozmente informação, claro que nem sempre nova. Notícia efêmera, fugaz, que foge da interpretação e de uma possível geração de conhecimento, porque é informação que objetiva estimular e acelerar a produtividade e o consumo, sem se importar com uma grave conseqüência: o alto custo social e ambiental. Nem mesmo a destruição de instituições, empresas, sociedades e comunidades inteiras parece não nos tocar, alertar, ensinar.
Já não nos lembramos mais de nada que tenha acontecido há mais de 20 minutos, um atestado da nossa triste condição de prisioneiros do momento, do instante. Contra a memória é possível apostar - e ganhar. Ela, a cada dia é elevada à condição de mito administrado. A memória que quer se tornar viva é alvo de reação.(...)

Pesquisa recente do DataFolha revelou que a maioria dos brasileiros desconhece, depois de 40 anos, o famigerado Ato Institucional número 5 (AI-5). O contexto, as razões e as conseqüências de sua decretação são desconhecidos por uma multidão no país. Os brasileiros não conhecem a história do país, uma limitação educacional que não é apenas nossa, mas de outros povos, tidos como mais educados e cultos. (...)

Diante desse furor informacional que nos abarca, é muito provável que, mais para frente, nos esqueceremos das razões da crise financeira global, dos financeiros ladrões, das empresas e dos governos não-governados, da sapatada no Bush, da grande enchente em Santa Catarina, do desastre ambiental da Amazônia, do desaparecimento da Mata Atlântica, do degelo dos pólos terrestres, do aquecimento global, do desemprego e também do ano de 2008."

Paulo Nassar é professor da Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Diretor-presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE).

Um comentário:

  1. parabens claine muito legalseu blog
    espero que arrume mais desenhos seus
    aqui .............
    to aguardando
    valdir bernardelli junior

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