Por Claine Andrade
Como dizia Ruy Castro sobre a obra de Nelson Rodrigues "A literatura desconfia de qualquer obra que não venha envolta em manto de "mistério". Ela não gosta de autores que escrevem sem truques, à frente de todos, com duzentos telefones tocando à sua volta e a vida correndo lá fora, apenas dois andares abaixo. A literatura prefere o falso mágico que, na hora de fazer o truque, fica de costas para a platéia. Mas bata todos esses mágicos em um liquidificador e confira se eles equivalem a meio copo de Nelson".
E é isso o que é a verdadeira literatura? Serão apenas os clássicos? A crônica, o estilo, o poeta, o nome...?
Não sei, mas por vezes penso que a cada um serve um literário, sem servir um estilo, um tempo ou uma marca.
Para mim me basta ler os Miseráveis de Victor Hugo, ou Dom Casmurro de Machado de Assis, qualquer um texto de Nelson, mas também um Victor da Rosa, Clara Dias, ou Cristóvão Tezza.
Assim, a viagem de cada um pelas páginas, sejam elas de papel ou led, é única, individual, mas pode e deve ser compartilhada, seja pelo que fica na gente do romance, da poesia, da ficção, e que é sentido pelos outros, ou que reverberamos, pela polidez, a educação e a criatividade, numa mágica que só a leitura faz.
Por isso descanso o telefone no gancho, desço as escadas e descanso a vida, os olhos e a alma em linhas que me levam e me trazem pelos caminhos iluminados e aconchegantes do curioso, para então traduzir a vida vivida, sentida em linhas próprias.

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