As entidades solicitaram ao prefeito municipal que os moldes da Festa sejam repensados e que a mesma seja discutida com a comunidade. “Não somos contra a festa, queremos apenas que a forma como ela vem acontecendo a diversos anos seja alterada. O comércio, o trade turístico e o setor produtivo afirmam que é preciso repensar os moldes do evento”, explicou Marilene Castelo, presidente da cooperativa Frutas de Ouro.
Outra questão levantada pelos signatários do documento é a data da realização da mesma. “Todo o setor produtivo da maçã está envolvido com a colheita na data escolhida pela prefeitura para a festa, prejudicando a participação dos trabalhadores e dos produtores no evento” declarou Fumio Hiragami, da Hiragami’s Fruit.
O grande descontentamento do setor produtivo com a Festa Nacional da Maçã se dá também devido ao fato de que o atual governo municipal havia assumido um compromisso no ano de 2010 de que a organização da festa seria compartilhada e que o setor produtivo participaria das decisões. “Foi assumido um compromisso com o setor produtivo de que a festa seria discutida.
A festa perdeu o foco principal que é uma comemoração a colheita e a produção da fruta, além de uma oportunidade de abertura de mercados. Enquanto setor produtivo, queremos que o produtor seja valorizado e possa participar efetivamente do evento”, afirmou Ilton Carvalho, coordenador do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural.
No documento entregue ao prefeito municipal, as entidades solicitaram que seja realizado outro evento na data já marcada pela prefeitura e que não seja utilizado o título de Festa Nacional da Maçã. “Este é um ponto muito importante, pois não queremos que seja utilizado este nome se os produtores não concordam com a forma como está sendo realizada a festa”, pontuou Carlos Hercílio Alves e Curto, representante da Vista Alegre.
“Acredito que esta é a prova do amadurecimento de todos os setores da economia de São Joaquim, pois há muito tempo vem se discutindo os modelos que a Festa da Maçã tem assumido. O setor produtivo deixou muito claro que deseja participar do planejamento da festa”, afirmou Reginaldo Rodrigues dos Santos, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Joaquim.
Especialmente na safra 2010/2011, onde as quebras na produção da maçã foram inúmeras devido as adversidades climáticas como geada e granizo, baixo preço para a comercialização da fruta ao longo dos anos, alto índice de endividamento do produtor e falta de infraestrutura para armazenagem, tornam a realização da festa difícil para o produtor. “Não podemos conceber que mais de 1.500 produtores não sejam consultados sobre a forma e o planejamento da festa. Além disso, os produtores tomaram conhecimento sobre a festa 85 dias antes do evento e por meio da imprensa, algo que não podemos aceitar. Em apenas 85 dias não há como organizar o evento de acordo com o que o setor produtivo deseja”, pontuou Humberto Briguenti, vice-presidente da Associação dos Produtores de Maçã e Pêra de Santa Catarina – AMAP.
“O setor mantem a posição de apoiar todo e qualquer evento que traga benefícios para toda a comunidade e setores da economia do município, desde que haja tempo hábil para organização do mesmo e que sejam ouvidas e respeitadas as decisões da comunidade, inclusive o evento alternativo proposto no documento entregue ao prefeito”, afirmam todos os signatários.
A posição do grupo é de não apoiar e não participar da 19ª Festa Nacional da Maçã no ano de 2011 e assinam o documento com esta posição a AMAP, Sanjo, Cooperserra, Frutas de Ouro, Econeve, Coopermuse, Coopersãojoaquim, Hiragami’s Fruit, Vista Alegre, CDL de São Joaquim, Representantes dos Bares, Hotéis e Restaurantes, ASSEA, Nutasj, Acavits, Sindicato dos Trabalhadores Rurais São Joaquim, Epagri, Loja Maçonica Fraternidade Serrana, Comissão Pró Fundação do Observatório Social, Movimento das Mulheres Camponesas, Condetur, Grupo Pró São Joaquim, CMDR e Protur.Por Roseane Ribeiro Sobânia – SC 02952 JP - Portal Serra SC www.serrasc.com.br
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